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Maduro celebra vitória, e a oposição… também. As eleições na Venezuela

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Cerca de 21 milhões de venezuelanos foram chamados às urnas no domingo, num processo eleitoral que resultou na reeleição do atual presidente, Nicolás Maduro, com 51,2% dos votos. A oposição não reconhece, no entanto, os resultados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi reeleito, no domingo, pela terceira vez, nas eleições presidenciais do país, alcançando 51,20% dos votos (5,15 milhões de votos), perante os 44,2% (pouco menos de 4,5 milhões de votos) conseguidos pelo candidato da oposição, Edmundo Gonzalez Urrutia. Os dados foram avançados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela e fortemente rejeitados pela oposição do país.

Se o CNE dá Maduro como vitorioso, porém, também é certo que a oposição não reconhece esses resultados e acredita que Edmundo Gonzalez Urrutia, de 74 anos, terá obtido, na realidade, 70% dos votos.

Assim o anunciou a líder da oposição, María Corina Machado, que não se pôde candidatar à presidência por ser considerada inelegível: “A Venezuela tem um novo presidente eleito e é Edmundo Gonzalez Urrutia”, declarou à imprensa, em Caracas.

Em simultâneo, María Corina Machado saudou a “participação em apoteose” que viu “em todos as assembleias de voto do país”.

“Estou confiante. Estamos perto de realizar um sonho. Vamos ser livres”, augurou, alertando que “se Maduro assumir o poder pela força ou a violência, assistiremos a uma vaga [de emigração] ainda mais importante e em pouco tempo, com a partida de mais três, quatro ou cinco milhões de venezuelanos (…) que provocará uma pressão enorme e uma escalada na região e, certamente, na fronteira sul dos Estados Unidos”.

“Paz, estabilidade e justiça”

A vitória de Maduro foi declarada pelo CNE quando estavam contados 80% dos boletins de voto e 59% dos eleitores tinham comparecido às urnas, nas eleições com “menores incidentes” dos últimos sete anos, de acordo com o Procurador-Geral da República da Venezuela, Tarek William Saab.

“Haverá paz, estabilidade e justiça. Paz e respeito pela lei. Sou um homem de paz e de diálogo”, prometeu Maduro, pedindo “respeito pela vontade popular” após uma campanha marcada por várias denúncias de intimidações e detenções – e um alerta para um possível “banho de sangue” se ganhasse a oposição.

Maduro disse que estas eleições foram o culminar de uma “batalha permanente entre o bem e o mal (…), entre aqueles (…) que querem violência e aqueles que amam a Venezuela, que resistiram a todas as tempestades e querem continuar a avançar em harmonia”.

A tensão no ar mantinha-se a horas do início das eleições, manteve-se após vários representantes internacionais que pretendiam observar as eleições terem sido barrados à entrada da Venezuela. Entre eles estava uma delegação do Partido Popular Europeu (PPE), onde se incluía o eurodeputado português Sebastião Bugalho, bem como ex-presidentes latino-americanos a quem foi negada a entrada no país.

“Levaram-nos os passaportes durante um par de horas, fomos impedidos de usar os nossos telemóveis por uma multidão de guardas fronteiriços que, se nos vissem com o telemóvel, não eram exatamente simpáticos. E estou a usar um eufemismo”, disse Bugalho.

As suspeitas de possível fraude levaram mesmo a líder da oposição venezuelana a apelar aos venezuelanos que ficassem nas assembleias de voto “para ver” a contagem dos mesmos. “Lutámos todos estes anos por este dia, estes são os minutos cruciais”, disse.

Portugal pede “verificação imparcial”

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal considerou, esta segunda-feira, que é “necessária a verificação imparcial” dos resultados eleitorais na Venezuela, depois de o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país ter declarado a vitória de Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de domingo. O Governo português realça que “só a transparência garantirá a legitimidade”.

EUA com “sérias preocupações”, UE pede “transparência”

A principal reação ao anúncio dos resultados eleitorais veio do secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, que disse que estão com “sérias preocupações”.

“Temos sérias preocupações de que o resultado anunciado não reflita a vontade ou os votos do povo venezuelano”, disse, em declarações à imprensa em Tóquio, no Japão.

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, apelou, por sua vez, a que haja “transparência” no processo eleitoral na Venezuela, incluindo “a contagem pormenorizada dos votos e o acesso [aos documentos] das assembleias de voto”.

Por outro lado, o Irão, a Nicarágua e Cuba felicitaram Maduro, “pela realização bem-sucedida das eleições presidenciais”, nas palavras do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Naser Kanani, na rede social X (antigo Twitter).

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